domingo, 14 de março de 2010

Sobre o que vale mesmo a pena

O TEMPO E AS JABUTICABAS
"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquela menina que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ela chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio. Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de'confrontação', onde 'tiramos fatos a limpo'. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral.
Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: 'as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos'. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa...
Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja tão-somente andar ao lado do que é justo. Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, desfrutar desse amor absolutamente sem fraudes, nunca será perda de tempo
."

Ricardo Gondim

quinta-feira, 11 de março de 2010

George, o nosso George...

Poderia escrever muitas palavras, mas estou sem energia. Apenas quero deixar registrado que nosso George descansou na madrugada de hoje, por volta das 03h00 em um hospital veterinário aqui em Valinhos, depois de sofrer muitas dores. Alex e eu estivémos com ele até o último segundo. Quando voltamos, Vic havia acordado e estava a nossa espera. Meu irmão, que ficou em casa com ele, apenas contou-lhe que George não passou bem e que estávamos com ele no hospital.
Quando voltamos com a notícia, Vic ficou estarrecido. Chorou. Hoje pela manhã me disse coisas de partir o coração...
Agora temos lágrimas, dor e saudade.
Dói muito a despedida. E dói muito a responsabilidade por uma vida.
Silêncio é o que preciso no momento.

segunda-feira, 8 de março de 2010

segunda-feira, 1 de março de 2010

Shit happens...

Hoje tive duas vontades fortes logo pela manhã: a primeira foi de vomitar, a segunda foi de chorar.
Desci pra tomar café da manhã, mas quando abri a porta da cozinha senti um cheiro terrível, terrível e preocupante, vindo da lavanderia. Aquele clássico odor azedo despertou uma hipótese ruim em minha mente (realista!). Quando fui verificar descobri que o fato era bem mais grave que o meu cérebro ingênuo (isto é, reclassificado como otimista) pôde conceber.
O George passou a noite na lavanderia, por causa da chuva forte. Isso é normal. O problema é que ele não foi liberado pra ser feliz no quintal bem cedinho, como precisa, e acabou fazendo suas necessidades básicas matinais ali na lavanderia mesmo...Falando assim, pode até parecer engraçadinho, mas não foi! Foi uma verdadeira tragédia! Nosso George conseguiu transformar um pequeno espaço branco da casa num pedaço das trevas impenetráveis do inferno! Eu nunca vi tanto cocô na minha vida! NUNCA! O George não só fez como deitou, e rolou em cima. Mais! Ele patinou e carimbou as paredes da lavanderia a máquina de lavar etc... Fiquei por uma hora e meia higienizando o pequeno ambiente. Repito: uma hora e meia lavando um espaço irrisório de 2x1!!! Depois, ainda tive que lavar o Lord, autor da obra, e também o quintal por onde ele continuou espalhando toda a sua arte enquanto eu lavava a lavanderia. (Mas eu me surpreendi comigo mesma por ter conseguido não vomitar nem chorar, além de deixar tudo limpo!)
Até agora, algumas vezes, tenho a impressão de que sinto aquele cheiro em mim mesma...argh! Não consegui tomar café da manhã, nem almoçar, aliás não consegui tocar na cozinha depois daquilo. Que nojo! E eu poderia continuar relatando as outras coisas que não deram certo hoje. Mas não vou. Apenas quero deixar registrado que o dia 01 de Março de 2010 foi um dia muito "trash". E a cagada toda começou logo cedo :(

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Mundo cão!

E hoje descobri que enquanto estávamos em crise sobre a prática da eutanásia no nosso George, em algum lugar no mundo (Uganda) tem gente discutindo a possibilidade da morte aos gays! Isso mesmo! :( Pra quem estava alienado como eu, pode pasmar com esta notícia esdrúxula clicando aqui.
Absurdo, como a humanidade evoluiu tanto em conhecimento e tecnologia, mas preserva tanta miséria no espírito. E por falar em miséria humana deixa eu compartilhar duas preciosidades sobre esse assunto. A primeira é o livro (clássico) de Victor Hugo: "Os miseráveis". Meu pai morreu citando e recomendando a leitura desse romance francês. De tanto que ele falava, depois que morreu, fui conferir. Acho que durante a leitura entendi com mais profundidade o que ele queria me ensinar. Sábio papai. Ótimo livro. Para saber mais sobre a obra clique aqui.
A segunda jóia que quero compartilhar é o filme Dogville. Muita gente odiou o filme pela combinação de 3 fatores: é longo, tem um cenário muito diferente do que se espera e é muito denso. Realmente é um filme difícil de se ver até o fim, mas seu conteúdo é riquíssimo e vale a pena.
Ah, e antes de terminar, deixa eu contar que o nosso George voltou a ser um cãozinho alegre e serelepe por esses dias. Está medicado. Tem se alimentado bem e já visitou novo médico. Optamos pela cirurgia pois descobrimos que há, sim, chances de melhora para ele! :)


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Crianças grandes

Ontem o Vic começou sua jornada numa escola nova. Como ele diz: "escola de crianças grandes". Depois que veio do Japão, ele ficou durante um ano numa escola com poucas crianças, em Campinas. Pequenina e aconchegante. A maioria esmagadora dos alunos daquela escola, é composta por descendentes de japoneses. Um ambiente muito familiar, no sentido de atenção e cuidados com os alunos. Mas aquela escola só atende até o término do primeiro ano.
Quando entramos no pátio da escola nova, já vimos muitas crianças de idades bem diferenciadas. No geral, uma criançada educada e comportada. Pelo pátio e cantina, andavam crianças de 6 anos de idade até adolescentes de 14 anos. Sem correria. Com vários monitores. Os olhos do Vic arregalaram. Ele já queria ir direto para sua sala de aula, parecia entusiasmado. Mas ainda era muito cedo. Ficamos na cantina esperando pelas orientações das monitoras e vendo a movimentação da criançada. Na escola de onde ele vem não tinha sinal (nem cantina!). Quando ele ouviu aquele estrondo, se assustou um pouco e olhou pra mim. Expliquei pra ele do que se tratava o impetuoso ruído. Ele balançou a cabeça em sinal de "entendi" e foi levantando. Estava tão ansioso que quando encontramos a sala de aula do segundo ano, foi logo entrando sem nem olhar pra trás. Percebi que acabaram os dias do beijinho na mamãe na porta da escola...
Ao final do dia, perguntamos pra ele o que achou da escola. Ele disse que não gostou. Motivos dados por ele: "Lá todo mundo é muito bravo! Pra falar com a sensei tem que levantar a mão e a gente não pode sair do lugar enquanto não der o sinal!"
Eu soube que a primeira aula seria de música, então perguntei o que eles fizeram. Resposta: "Cantamos o hino nacional e aprendemos a música das regras da escola".
Percebi que o Vic não estava muito a fim de falar, mesmo assim arrisquei mais uma perguntinha:
-E você já fez amigos na escola?
-Só uma amiga, hoje... Na minha classe tinha dois meninos que desobedeciam, faziam bagunça...E eles me chamaram de burro, mas eu não liguei...
-Filho, se eles te chamaram de burro, eles não são seus amigos. Afaste-se deles.
-Eu sei... Mas hoje eu tirei nota máxima em comportamento!
E isso é só mais um começo...Ai, meu coração!

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Bobinho

Um amigo meu reencontrou algo que escreveu no passado e concluiu: " É um poema antigo e bobinho..."
Eu não achei o poemeto dele bobinho, principalmente (mas não só por isso!) porque ele escreveu o que sentia. Eu não acho que sentimentos possam ser qualificados como bobinhos. Nem aqueles que a gente expressa fora do padrão esperado.