segunda-feira, 9 de março de 2015

Revolta da Varanda Gourmet

Nosso país está passando por um momento político delicado e peculiar. Depois de cinco séculos de direita no poder, o simples ensaio de uma mudança à esquerda na última década já suscitou o ódio da Casa Grande com o apoio e incentivo da mídia tradicional que, como escreve Luciano Martins Costa, "tange seu gado- rebanho dos midiotas- na direção da irracionalidade." 







"O ato de bater panelas vazias sempre foi uma expressão daqueles a quem faltava alimento. Os abastados abestados se apropriam desse símbolo sem mesmo saber o que significa. Em torno dos edifícios onde os direitos são medidos pelo valor do metro quadrado, a maioria silenciosa não bate panelas." Luciano Martins Costa, do Observatório da Imprensa



Vamos lá! Já saímos do mapa da fome... Mais à esquerda, por favor! Tenho paquerado o PSOL há alguns anos, senhora presidente!

sexta-feira, 6 de março de 2015

"Falhar é apenas uma forma para crescer"

O método tentar, cair, levantar, tentar outra vez, talvez de outros modos, até que se possa seguir adiante  serve para tudo na vida, não apenas para a escola.  A aprendizagem é um processo e ocorre no tempo e no modo peculiar de cada sujeito. Quem sente necessidade de se adequar ao sistema (de pressão) massificante e competitivo, pode sentir-se mais ou menos frustrado com o seu próprio caminhar. Alguns tornam-se monstros predadores, bravos competidores com o intuito único de conseguirem um lugar de destaque na sociedade ou em seu pequeno grupo de amigos e parentes. Outros, por não terem a mesma ambição e/ou energia adequam-se e conformam-se com a mediocridade. Afinal, a coluna do meio tem o seu conforto. Alguns minguam, deprimem, sucumbem, desistem...Arrisco dizer que uma minoria, bem mínima mesmo, sobrevive aos preconceitos e resiste a pressão, consegue fortalecer-se  por diferentes meios e... realiza-se, enfim. Esta minoria é a dos verdadeiros vencedores,em minha opinião. Daqueles que superaram a si mesmos. Aproximam-se mais do "übermensch" nietzschiano, ou "super homem", numa tradução bem literal. Não "super" por terem "super poderes', mas porque superam a si mesmos, superam suas próprias dificuldades e limitações com o objetivo de tornarem-se melhores  em relação a si mesmos, a cada dia. Superar a si mesmo, as própria limitações e dificuldades, esse é o sentido de aprender, o caminho para crescer e para tornar-se melhor hoje do que foi ontem. Seja como estudante ou em qualquer outra atividade que temos, nossas falhas merecem mais atenção e direcionamento para o nosso crescimento. Errar, naturalmente, faz parte do processo de aprender. Uma pena que a maioria das escolas, famílias e outros grupos de convívio , não tenham ainda "aprendido" esta importante lição que favoreceria a formação de uma sociedade de pessoas mais realizadas e mais satisfeitas, talvez até mais felizes.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sobre o sentido da vida

Ao perguntar-se pelo sentido da vida a pessoa mostra o que há de mais humano em si:

Muitos pensam que crianças não são capazes de pensamentos profundos. A verdade é que elas nos surpreendem e muito! Por outro lado, nós, adultos,  muitas vezes não somos capazes de conversar em linguagem suficientemente clara e honesta para que eles entendam o que queremos dizer. Abaixo segue o exemplo de um grande mestre.


obs:"Quem tem por que viver aguenta quase todo como viver" (Friedrich Nietzche)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O desespero e a esperança política. Brasil 2015.

Cansada de me deparar com críticas de baixo nível dos "especialistas" e "politizadores' de facebook, partilho aqui, alegremente, um texto razoável. Um texto que tece uma crítica de forma simples e clara, sem descer o nível, sem jogar baixo e sem deturpar fatos. No mais, o que continuo prevendo é: quanto mais à esquerda, melhor! ;) 
Enfim, o desespero
Vladimir Safatle, na Folha, em 24/02/2015 02h00 

A situação desesperadora da época na qual vivo me enche de esperanças.” A frase é de Marx, enunciada há mais de 150 anos. Ela lembrava como situações aparentemente sem saída eram apenas a expressão de que enfim podíamos começar a realmente nos livrar dos entulhos de um tempo morto.
Há tempos, insisti que o lulismo entraria em um esgotamento. Era uma questão de cálculo. Chegaria um momento em que o crescimento só poderia continuar por meio de políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação. Afinal, estamos falando de um país que, ao mesmo tempo, apresenta crescimento econômico próximo a zero e bancos, como o Itaú, com lucro anual de 20 bilhões de reais. Um crescimento de 29% em relação a 2013, com inadimplência recuando para mínima recorde.
“Políticas efetivas de combate à desigualdade e acumulação” significam, neste contexto, ir atrás do dinheiro que circula no sistema financeiro e seus rentistas blindados. Mas isto o governo não seria capaz de fazer. Difícil fazê-lo quando você também se torna alguém a frequentar a roda dos dançarinos da ciranda financeira. Ninguém atira no próprio pé, ainda mais quando se é recém-chegado à festa.
Restaram ao governo federal duas coisas. Primeiro, chorar por não ser tratado como um tucano. É verdade. Nada melhor no Brasil do que ser tucano. Como acontece hoje no Paraná, você pode quebrar seu Estado, colocar quatro de suas universidades públicas em risco de fechamento por falta de repasse e, mesmo assim, irão te deixar em paz. Nenhuma capa de revista sobre seus desmandos nem sobre seus casos de corrupção.
Por estas e outras, o sonho de consumo atual de todo petista é ser tratado como um tucano. Eles até que se esforçaram bastante.
Fora isto, resta ao governo ser refém de um Congresso que ele próprio alimentou. Na figura de gente do porte de Eduardo Cunha e seus projetos de implementar o “dia do orgulho heterossexual”, entregar o legislativo à bancada BBB (Bíblia, Boi e Bala) e contemplar cada deputado com seu quinhão intocado de fisiologismo, o Brasil encontra a melhor expressão da decadência e da mediocridade própria ao fim de um ciclo.
Neste contexto, podemos enfim ver claramente como as alternativas criadas após o fim da ditadura militar não podiam de fato ir muito longe. Nenhuma delas sequer passou perto da necessidade de quebrar tal ciclo de miséria política dando mais poder não aos tecnocratas ou aos “representantes”, mas diretamente ao povo, que continua a esperar seu momento.
Por isto, a situação desesperadora me enche de esperanças.
Vladimir Safatle é professor livre-docente do Departamento de filosofia da USP 

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Refrescando a memória de quem gosta de jogar pedra na Geni*


* Geni e o  Zepelin
(Chico Buarque)

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Com os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geléia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo – Mudei de idéia
– Quando vi nesta cidade
– Tanto horror e iniqüidade
– Resolvi tudo explodir
– Mas posso evitar o drama
– Se aquela formosa dama
– Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni
Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
– e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni
Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Livrai-nos de tudo o que nos prende. Amém.


"Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti estava errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
 Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime." 

              Fernando Pessoa* 

*Álvaro de Campos, trecho de Tabacaria