domingo, 30 de janeiro de 2011
Arte e manhas
Abaixo segue o link do trailer:
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Velhos ombros
Os Ombros Suportam O Mundo
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Fim de ano

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjetividade objetiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um elétrico...
Esta espécie de alma...
Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-rne para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-rne toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje, qual é o espetáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espetáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei. Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...
O porvir...
Sim, o porvir...
Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)
terça-feira, 9 de novembro de 2010
Nota de falecimento
Minha vó, aos 88 anos de idade, cansada pela idade e os golpes da vida-porém lúcida-despede-se de mais um filho- o seu caçula. Não consigo imaginar a dimensão da tristeza no coração da vovó. Gostaria de protegê-la, de poupá-la de mais esta dor...
A vida é estranha. A morte continua me surpreendendo. A gente nunca sabe quem é o próximo da fila.
Estou abatida e lamento profundamente pelos que ficaram. Sei que esta é uma experiência solitária e triste- talvez a mais forte na vida do ser humano.
sábado, 6 de novembro de 2010
Passaporte para o futuro
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
A Ciência não erra
Algumas vezes vejo desenho animado com meu filho.
Abaixo segue o episódio 39 da primeira temporada de "Os pinguins de madagascar". Além de engraçadinho, esse episódio faz uma crítica que vale a pena...