terça-feira, 16 de setembro de 2014
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
Eleições 2014
Por Frei Betto
Nas eleições deste ano, avalia o teu município, o teu estado, a tua nação. O que necessita nosso povo? O que macula nossos direitos de cidadania? Quais as causas do desemprego, da fome, da miséria, da violência e das drogas? Por que quase metade das crianças que chegam à quarta série é analfabeta? Por que o peso dos impostos, a falta de moradia e saneamento, de saúde e educação? Quem elege os políticos corruptos?
Nas eleições deste ano, avalia o teu município, o teu estado, a tua nação. O que necessita nosso povo? O que macula nossos direitos de cidadania? Quais as causas do desemprego, da fome, da miséria, da violência e das drogas? Por que quase metade das crianças que chegam à quarta série é analfabeta? Por que o peso dos impostos, a falta de moradia e saneamento, de saúde e educação? Quem elege os políticos corruptos?
Seja o teu
voto, não a expressão de tuas ambições individuais, de tua amizade com o candidato, de tua simpatia,
e sim da compaixão aos mais pobres, de tua fome de justiça, de teu senso
cívico, de teu respeito pelos direitos humanos, de teu projeto de Brasil
soberano, independente, livre de discriminações e injustiças.
Nas eleições deste ano, não cometas o erro de dar teu voto a
quem defendeu a ditadura, meteu a mão no dinheiro público e jamais beneficiou
os que labutam arduamente pela sobrevivência. Nem aos pusilânimes, aos
arrivistas, aos alpinistas sociais, aos que têm a cara limpa e a ficha suja, e
aos que multiplicam seu patrimônio familiar à custa do poder público. Vota com
sabedoria e coragem, e empenha-te pela vitória de teus candidatos.
Nas eleições deste ano, indaga como e em quem votarão as pessoas
que admiras. Pergunta a ti mesmo quem são os candidatos preferidos por aqueles
que julgas exemplo de ética, de transparência cívica, de dedicação aos
interesses da coletividade,
de exercício do poder como serviço preferencial aos excluídos.
A depender de teu voto, pode ser que, na data da próxima
eleição, o Brasil esteja ainda mais endividado, aviltado, conflitado e
colonizado. Mas pode ser que se alargue o espaço democrático, robusteça-se a
cidadania, ampliem-se a participação popular e o controle da sociedade sobre o
poder público.
Nas eleições deste ano, se for nulo o teu voto, nula serão
também as tuas queixas e estarás condenado à amargura cívica. À margem do
processo político, teu protesto inócuo haverá de favorecer aqueles que merecem
ser banidos da vida política. À tua omissão eleitoral agradecerão os que se
locupletam com recursos públicos e promovem tráfico de influências, nepotismo e
maracutaias. Como dizia Platão, quem tem nojo de política é governado por quem
não tem. E tudo que os maus políticos querem é que tenhamos bastante nojo, para
ficarem a sós se chafurdando na corrupção às nossas custas.
Contudo, se votares nas reformas que o Brasil tanto necessita,
como a agrária, a política, e a melhoria da saúde, da educação, do transporte
coletivo, da segurança, e na conquista do desenvolvimento sustentável, com
plena soberania nacional, não serão os eleitos que te agradecerão, e sim teus
filhos e as gerações vindouras, pois estarás votando por elas e nelas.
fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/29752
sexta-feira, 18 de julho de 2014
Ao mestre, com carinho
Rubem Alves continua na UTI, anunciam os jornais. Estamos tristes, claro. Espero, como tantos outros, que ele seja rapidamente liberto desse mal que é a doença do corpo.
O momento me faz pensar... Que pessoa rica e generosa é o Professor Rubem!
Ele compartilha sabedoria e poesia com pessoas de diferentes idades e conhecimentos. Não escreve aos deuses, não escreve aos cientistas. Rubem Alves escreve aos homens como homem. Ele toca meu coração, desperta em mim bons sentimentos e me faz repensar temas interessantes.
Às vezes, em dias frios como está hoje aqui em Campinas, sirvo-me de algumas de suas deliciosas sopas de palavras - sempre tão bem temperadas! Como não amar alguém que mostra beleza e vida mesmo no vale da sombra da morte?
Tive a honra de sentar-me ao lado desse grande mestre poucas vezes. Posso afirmar que pessoalmente ele também é instigante e bem humorado. Tem brilho nos olhos. Uma graça encantadora! Lembro-me de seu sorriso, de seu olhar tranquilo... É uma doce presença. Pessoa marcante.
Nesse momento difícil o querido Rubem Alves deve estar cercado pelo afeto de tantos leitores, além dos amigos e parentes. Penso que ele está colhendo, merecidamente, o amor que tem plantado em tantos corações.
Rubem Alves é marcante. E "O que a memória ama fica eterno", como escreveu nosso poeta.
http://www.institutorubemalves.org.br
quinta-feira, 17 de julho de 2014
Reflexões diante da morte
Texto de Rubem Alves
fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1810201104.htm
Sobre o morrer
"NINGUÉM QUER morrer. Mesmo as pessoas que querem chegar ao paraíso. Mas a morte é o destino de todos nós."(Steve Jobs)
Odeio a ideia de morte repentina, embora todos achem que é a melhor. Discordo. Tremo ao pensar que o jaguar negro possa estar à espreita na próxima esquina. Não quero que seja súbita. Quero tempo para escrever o meu haikai.
Mallarmé tinha o sonho de escrever um livro com uma palavra só. Achei-o louco. Depois compreendi. Para escrever um livro assim, de uma palavra só, seria preciso ter-se tornado sábio, infinitamente sábio. Tão sábio que soubesse qual é a última palavra, aquela que permanece solitária depois que todas as outras se calaram. Mas isso é coisa que só a Morte ensina. Mallarmé certamente era seu discípulo.
O último haikai é isto: o esforço supremo para dizer a beleza simples da vida que se vai. Tenho terror de ser enganado. Se estiver para morrer, que me digam. Se me disserem que ainda me restam dez anos, continuarei a ser tolo, mosca agitada na teia das me-díocres, mesquinhas rotinas do cotidiano. Mas se só me restam seis meses, então tudo se torna repentinamente puro e luminoso. Os não essenciais se despregam do corpo, como escamas inúteis.
A Morte me informa sobre o que realmente importa. Me daria ao luxo de escolher as pessoas com quem conversar. E poderia ficar em silêncio, se o desejasse. Perante a morte tudo é desculpável... Creio que não mais leria prosa. Com algumas exceções: Nietzsche, Camus, Guimarães Rosa. Todos eles foram aprendizes da mesma mestra. E certo que não perderia um segundo com filosofia. E me dedicaria à poesia com uma volúpia que até hoje não me permiti. Porque a poesia pertence ao clima de verdade e encanto que a Morte instaura. E ouviria mais Bach e Beethoven. Além de usar meu tempo no prazer de cuidar do meu jardim...
Curioso que a Morte nada tenha a dizer sobre si mesma. Quem sabe sobre a Morte são os vivos. A Morte, ao contrário, só fala sobre a Vida, e depois do seu olhar tudo fica com aquele ar de "ausência que se demora, uma despedida pronta a cumprir-se" (Cecília Meireles). E ela nos faz sempre a mesma pergunta: "Afinal, que é que você está esperando?" Como dizia o bruxo D. Juan ao seu aprendiz:
"A morte é a única conselheira sábia que temos. Sempre que você sentir que tudo vai de mal a pior e que você está a ponto de ser aniquilado, volte-se para a sua Morte e pergunte-lhe se isso é verdade.
Sua Morte lhe dirá que você está errado. Nada realmente importa fora do seu toque... Sua Morte o encarará e lhe dirá: 'Ainda não o toquei...'"
E o feiticeiro concluiu: "Um de nós tem de mudar, e rápido. Um de nós tem de aprender que a Morte é caçadora, e está sempre à nossa esquerda. Um de nós tem de aceitar o conselho da Morte e abandonar a maldita mesquinharia que acompanha os homens que vivem suas vidas como se a Morte não os fosse tocar nunca".
Às vezes ela chega perto demais, o susto é infinito, e até deixa no corpo marcas de sua passagem. Mas se tivermos coragem para a olharmos de frente é certo que ficaremos sábios e a vida ganhará simplicidade e a beleza de um haikai.
"A morte me informa o que realmente importa."
fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1810201104.htm
Sobre o morrer
"NINGUÉM QUER morrer. Mesmo as pessoas que querem chegar ao paraíso. Mas a morte é o destino de todos nós."(Steve Jobs)
Odeio a ideia de morte repentina, embora todos achem que é a melhor. Discordo. Tremo ao pensar que o jaguar negro possa estar à espreita na próxima esquina. Não quero que seja súbita. Quero tempo para escrever o meu haikai.
Mallarmé tinha o sonho de escrever um livro com uma palavra só. Achei-o louco. Depois compreendi. Para escrever um livro assim, de uma palavra só, seria preciso ter-se tornado sábio, infinitamente sábio. Tão sábio que soubesse qual é a última palavra, aquela que permanece solitária depois que todas as outras se calaram. Mas isso é coisa que só a Morte ensina. Mallarmé certamente era seu discípulo.
O último haikai é isto: o esforço supremo para dizer a beleza simples da vida que se vai. Tenho terror de ser enganado. Se estiver para morrer, que me digam. Se me disserem que ainda me restam dez anos, continuarei a ser tolo, mosca agitada na teia das me-díocres, mesquinhas rotinas do cotidiano. Mas se só me restam seis meses, então tudo se torna repentinamente puro e luminoso. Os não essenciais se despregam do corpo, como escamas inúteis.
A Morte me informa sobre o que realmente importa. Me daria ao luxo de escolher as pessoas com quem conversar. E poderia ficar em silêncio, se o desejasse. Perante a morte tudo é desculpável... Creio que não mais leria prosa. Com algumas exceções: Nietzsche, Camus, Guimarães Rosa. Todos eles foram aprendizes da mesma mestra. E certo que não perderia um segundo com filosofia. E me dedicaria à poesia com uma volúpia que até hoje não me permiti. Porque a poesia pertence ao clima de verdade e encanto que a Morte instaura. E ouviria mais Bach e Beethoven. Além de usar meu tempo no prazer de cuidar do meu jardim...
Curioso que a Morte nada tenha a dizer sobre si mesma. Quem sabe sobre a Morte são os vivos. A Morte, ao contrário, só fala sobre a Vida, e depois do seu olhar tudo fica com aquele ar de "ausência que se demora, uma despedida pronta a cumprir-se" (Cecília Meireles). E ela nos faz sempre a mesma pergunta: "Afinal, que é que você está esperando?" Como dizia o bruxo D. Juan ao seu aprendiz:
"A morte é a única conselheira sábia que temos. Sempre que você sentir que tudo vai de mal a pior e que você está a ponto de ser aniquilado, volte-se para a sua Morte e pergunte-lhe se isso é verdade.
Sua Morte lhe dirá que você está errado. Nada realmente importa fora do seu toque... Sua Morte o encarará e lhe dirá: 'Ainda não o toquei...'"
E o feiticeiro concluiu: "Um de nós tem de mudar, e rápido. Um de nós tem de aprender que a Morte é caçadora, e está sempre à nossa esquerda. Um de nós tem de aceitar o conselho da Morte e abandonar a maldita mesquinharia que acompanha os homens que vivem suas vidas como se a Morte não os fosse tocar nunca".
Às vezes ela chega perto demais, o susto é infinito, e até deixa no corpo marcas de sua passagem. Mas se tivermos coragem para a olharmos de frente é certo que ficaremos sábios e a vida ganhará simplicidade e a beleza de um haikai.
"A morte me informa o que realmente importa."
terça-feira, 15 de julho de 2014
Eles gostam de crianças. Só que não.
Nem todo mundo que "gosta" de criança gosta mesmo de criança. Tem gente perversa que se envolve com atividades infantis como atalho para aproximar-se das vítimas. Isso é terrível, isso é velho, isso sempre se repete, isso pode acontecer em qualquer lugar e em todas as classes sociais.
"Prisões por pedofilia mais que dobram no Brasil em 2013"
"Cresce atendimento por causa de abuso sexual em Campinas"
sábado, 12 de julho de 2014
O Brasil já foi o país do futebol
Minha vó está com 91 anos de vida. Vim visitá-la hoje.
Referindo-me ao jogo Brasil X Alemanha do dia 08/07, perguntei a ela:
-Vovó, a senhora viu o último jogo do Brasil?
-Vi.
-E aí, o que senhora achou?
-Se existe feitiço foi isso que aconteceu ali. Nunca vi aquilo!
Eu ri.
Mais tarde sentamos para assistir o jogo de hoje...
Depois do segundo gol da Holanda ela disse:
-Ééé...O Brasil já foi o país do futebol. Que que é isso, Brasil? Tá tudo mudado nesse mundo, meu Deus!
AHAHA! Os nonagenários sabem muuuuito! :)
ps: Foto bem "das antiga". Vovó, eu e meu irmão, na época em que o Brasil era o país do futebol. Haha
pps: Holanda 3 X 0 Brasil
Referindo-me ao jogo Brasil X Alemanha do dia 08/07, perguntei a ela:-Vovó, a senhora viu o último jogo do Brasil?
-Vi.
-E aí, o que senhora achou?
-Se existe feitiço foi isso que aconteceu ali. Nunca vi aquilo!
Eu ri.
Mais tarde sentamos para assistir o jogo de hoje...
Depois do segundo gol da Holanda ela disse:
-Ééé...O Brasil já foi o país do futebol. Que que é isso, Brasil? Tá tudo mudado nesse mundo, meu Deus!
AHAHA! Os nonagenários sabem muuuuito! :)
ps: Foto bem "das antiga". Vovó, eu e meu irmão, na época em que o Brasil era o país do futebol. Haha
pps: Holanda 3 X 0 Brasil
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Solidariedade: o gol mais bonito!
Em princípio não achei boa a idéia do Brasil sediar a copa. Depois que a decisão foi tomada, minha opinião passou a ser de que torcer pelo Brasil era a escolha mais coerente pra quem quer ver nosso país seguir em frente. A escolha já tinha sido feita, então agora restava torcer pelo sucesso da escolha que tomaram.
Entendo nada de futebol, nem sabia o nome dos jogadores, nem dos mais famosos.Sério mesmo. Mas tenho acompanhado os jogos do Brasil na copa 2014 e já até aprendi alguns nomes. :)
Teve um momento hoje, depois do fim do jogo, que me tocou mesmo. Foi quando o David Luiz e o Dani Alves ficaram por um bom tempo consolando o jogador colombiano James Rodrigues.
Quem diria, hein? Eu que nunca tive qualquer interesse pelo futebol, babando por comportamento de jogador. (Vivendo e desfazendo preconceitos...)
Ver que tem jogadores que entendem o futebol para além de uma bola rolando no campo rumo ao gol, foi uma agradável surpresa para mim.
E já que a molecada brasileira tem esses atletas como "ídolos", que esses "ídolos" transmitam o melhor do ser humano sempre que tiverem oportunidade.
Vaaai Brasil, do meu coração!
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