Que a crise econômica mundial afetou a vida de muitos dekassegis, todos já sabem.
O que alguns não sabem é que Victor e eu já estávamos no Brasil antes da "bomba" ser anunciada pela mídia. E que, na verdade, esta nossa estada prolongada por aqui foi uma coincidência...
Viemos para visitar a vovó (em Sorocaba) em Julho. Deveríamos ter regressado ao Japão em Setembro, mas fomos impedidos pela polícia federal. Por ignorância nossa, viajei com o Victor do oriente para o ocidente sem a autorização (resgistrada) paterna. E tudo correu bem- na vinda. Muitos policiais, algumas entrevistas, muitas revistas- nos EUA (claro!), mas nenhum pedido de autorização. Cheguei ao Brasil com o Vic e os policiais sorriram pra gente.
Na tenativa de voltar, porém, tivemos a grande surpresa! No aeroporto, durante o checking , um funcionário, da mesma companhia aérea que nos trouxe, pediu-me a autorização judicial para que eu saísse do país com meu filho. Minha ignorãncia e despreparo eram tais que achei que fosse uma brincadeira. Só percebi a seriedade ao ver o semblante do funcionário...
Resumo dessa nossa ópera: não ingressamos. A agência de viagens vendeu-nos passagens com preços promocinais e com restrições, como por ex, estávamos impossibilitados de trocar data de vôo sob quaisquer circunstãncias...
Primeiro ficamos muito frustrados. Depois de dias, começamos a pensar se valeria mesmo a pena investirmos uma quantia elevada para regressarmos ao Japão, ou se o Alex é que deveria voltar pra cá...Estávamos colocando na ponta do lápis (e nos corações)uma série de fatores.
Enquanto pensávamos em nossas vidas, começaram as demissões em massa onde Alex trabalhava, como em todo o Japão.
Finalmente chegou o dia em que Alex foi demitido também, porém imediatamente relocado em outra fábrica, o que rendeu-lhe dois meses de salário e esperança. Depois disso foi demitido outra vez, em meio a outra leva de funcionários.
Agora, Alex aguarda receber o seu seguro desemprego antes de voltar, como tantos outros dekasséguis.
As agências públicas de emprego no Japão,chamadas "Hello Work",estão abarrotadas de desempregados. Dura verdade: nihonjin e gaijin estão sendo engolidos pelo furacão do desemprego.
Resumo dessa (outra) nossa ópera: Alex já está de malas prontas e vamos ter que (mais uma vez) recomeçar.
Na próxima semana, se não houver mais imprevistos (afinal, nossa vida é uma aventura..) devemos estar em Campinas, em um novo endereço. As aulas do Vic começam em 02 de fev e encontramos uma escola muito bacana para ele! :)
Breve mais notícias. (Espero que boas!)
PS:
http://picasaweb.google.com/alexsandro.sunaga/Stuffs#
F YOU BUY THE CAR, YOU CAN GET EVERYTHING I AM SELLING FOR
FREE!!!!
AND THERE IS MUCH MORE STUFFS HERE IN MY HOME!!!
YOU CAN GET THEM ALL!!!
domingo, 25 de janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
É...
José
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, pra onde?
(Carlos Drummond de Andrade)
PS: Na foto, o Vic em maio de 2006. Logo que chegamos ao Nihon...
sábado, 13 de dezembro de 2008
Não me conformo!
Estava de passagem pela sala, aqui na casa da vovó (Sorocaba), e vi parte de uma entrevista...
Gente, fiquei chocada. Mais uma vez: CHOCADA!
Chegou ao Brasil a moda dos EUA (claro!) de alugar bolsas e outros acessórios de grifes famosas e caras (ou seriam, caras e famosas?).
Quero acreditar que entendi errado, mas ouvi dizer o valor do aluguel de uma bolsa por R$400,00!!! Detalhe: pra "bonita" usar NUMA festa chic!!!
Ah, mas a dona da loja explicou: que um "mimo desses custa R$6.000,00, na verdade". E a besta do entrevistador afirmou que:" em tempos de crise, as pessoas devem mesmo usar a criatividade".
Mimo?! Que nojo! Isso é IMORAL!!!
Crise? Nesse caso, crise de Valores, não?
Criatividade? Na selva de pedras até os conceitos perdem seus Valores.
Gente, fiquei chocada. Mais uma vez: CHOCADA!
Chegou ao Brasil a moda dos EUA (claro!) de alugar bolsas e outros acessórios de grifes famosas e caras (ou seriam, caras e famosas?).
Quero acreditar que entendi errado, mas ouvi dizer o valor do aluguel de uma bolsa por R$400,00!!! Detalhe: pra "bonita" usar NUMA festa chic!!!
Ah, mas a dona da loja explicou: que um "mimo desses custa R$6.000,00, na verdade". E a besta do entrevistador afirmou que:" em tempos de crise, as pessoas devem mesmo usar a criatividade".
Mimo?! Que nojo! Isso é IMORAL!!!
Crise? Nesse caso, crise de Valores, não?
Criatividade? Na selva de pedras até os conceitos perdem seus Valores.
sábado, 29 de novembro de 2008
(Meu) Silêncio
domingo, 2 de novembro de 2008
A gente se vê!
O mundo não é mesmo muito grande. Histórias convergem o tempo todo e nós, os personagens, podemos nos esbarrar.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Não sumi!
Apenas estou pelo Brasil e pensando.
Depois eu conto tudo, ou quase tudo, ou nada.
Hoje ganhei algo bonito do Alex e agora divido o presente com quem quiser:
Depois eu conto tudo, ou quase tudo, ou nada.
Hoje ganhei algo bonito do Alex e agora divido o presente com quem quiser:
sábado, 28 de junho de 2008
Chove chuva...
Olha só, que coisa...Meio que sem querer a gente vai tomando conhecimento de artistas interessantes, que nunca antes ouvimos falar...Eu buscava pelo poema de Oswald de Andrade: "Soidão" e graças ao "Dr. Knows" (google) encontrei este guri gracioso que pode ser ouvido logo abaixo...
(Enquanto isso, nesse domindo chuvoso, vamos resolver algumas coisas e tirar fotos que uma amiga pediu para um trabalho de faculdade dela aí no Brasil...)
SOIDÃO- Oswald de Andrade
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se lavando
Senhor
que eu não fique nunca
como esse velho inglês
aí ao lado
que dorme numa cadeira
à espera de visitas que não vêm
Chove chuva choverando
que o jardim de meu bem
está-se todo se enfeitando
A chuva cai
cai de bruços
A magnólia abre o pára-chuva
pára-sol da cidade
de Mário de Andrade
A chuva cai
escorre das goteiras do domingo
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se molhando
Anoitece sobre os jardins
Jardim da Luz
Jardim da Praça da República
Jardim das platibandas
Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando
(Enquanto isso, nesse domindo chuvoso, vamos resolver algumas coisas e tirar fotos que uma amiga pediu para um trabalho de faculdade dela aí no Brasil...)
SOIDÃO- Oswald de Andrade
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se lavando
Senhor
que eu não fique nunca
como esse velho inglês
aí ao lado
que dorme numa cadeira
à espera de visitas que não vêm
Chove chuva choverando
que o jardim de meu bem
está-se todo se enfeitando
A chuva cai
cai de bruços
A magnólia abre o pára-chuva
pára-sol da cidade
de Mário de Andrade
A chuva cai
escorre das goteiras do domingo
Chove chuva choverando
que a cidade de meu bem
está-se toda se molhando
Anoitece sobre os jardins
Jardim da Luz
Jardim da Praça da República
Jardim das platibandas
Noite
Noite de hotel
Chove chuva choverando
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